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13 de maio de 2011

Lei Alemã de Pureza - Reinheitsgebot

reinheitsgebot"Proclaramos, por meio desse decreto, pela Autoridade de nossa província, que no Ducado da Bavária, no país, e nas cidades e mercados, as seguintes regras se aplicam à venda de cerveja:

De 29 de setembro a 23 de abril, o preço de uma Maβ (litro bavariano) ou um Kopf (recipiente para líquidos, em forma de tigela) não pode exceder um Munich Pfennig e, de 23 de abril a 29 de setembro, uma Maβ não pode ser vendido por mais de duas vezes esse valor e um Kopf não mais que três Hellers (um Heller é equivalente a meio Munich Pfennig).

Se isto não for cumprido, a punição abaixo indicada será administrada.
(...) queremos enfatizar que no futuro, em todas as cidades, nos mercados e no país, os únicos ingredientes que devem ser utilizados para a fabricação da cerveja são cevada, lúpulo e água.

Qualquer um que negligenciar, desrespeitar ou transgredir estas determinações, será punido pelas autoridades da corte que confiscarão os barris de cerveja, sem falha.

(...) o Ducado da Bavária terá o direito de fazer apreensões para o bem de todos os interessados."

- Assinado pelo Duque Guilherme IV da Bavária em 23 de abril, 1516, em Ingolstadt.

A Lei Alemã de Pureza da Cerveja (Reinheitsgebot) foi uma regulamentação aplicável aos produtores de cerveja da Bavária. No texto original, os únicos ingredientes que poderiam ser utilizados para a produção da cerveja eram água, cevada e lúpulo. O lúpulo foi adicionado à lei original devido à sua ação conservativa, impedindo que métodos inferiores de preservação fossem utilizados.

A Reinheitsgebot foi introduzida, por três motivos principais: garantir a qualidade da cerveja que se bebia na Alemanha, garantir que esse produto não extrapolaria o preço determinado pelo governo e prevenir a competição de preços de trigo e centeio com as panificações.

A restrição de grãos a apenas a cevada, serviu como medida para garantir a disponibilidade de quantidade suficiente de pães no país. Na verdade, a cerveja de trigo não foi extinta, mas a autorização para sua produção passou a ser concedida pelo Duque.

A Bavária insistiu na aplicação da Lei de Pureza em toda a Alemanha, como uma pré-condição à unificação alemã, em 1871, de forma a prevenir competição com cervejas produzidas em outros locais e com outros ingredientes. Alguns países também adotaram a Lei, como Grécia, Noruega e Suiça. Infelizmente, a restrição de ingredientes permitidos na fabricação de cervejas levou à extinção de muitas tradições cervejeiras e de muitas especialidades locais, como a cerveja apimentada do norte e a cerveja de cereja.

A Lei foi efetiva por mais de 400 anos, sobrevivendo, inclusive, ao Terceiro Heich. Durante esse longo período a lei foi fortemente criticada por cervejarias de outros países e considerada protecionista, já que permitia à Alemanha Ocidental proibir cervejas da Bélgica e Alemanha, que continham conservantes artificiais, açúcar, mel ou outros aditivos.

A Reinheitsgebot foi substituída pela Lei Provisória de Cerveja Alemã, de 1993, que permite a inclusão de ingredientes antes proibidos, como o fermento, malte de trigo, açúcar de cana, e proíbe a utilização de cevada não-maltada. O fermento só foi incorporado porque, no século XIX, Louis Pasteur descobriu o papel desses microorganismos na fermentação. Até então, eram utilizados sedimentos de lotes anteriores neste processo.

Atualmente, outros países Europeus e Americanos (Bélgica, EUA e o próprio Brasil, entre outros), desfrutam de um mercado mais dinâmico que o alemão, desenvolvendo novos procedimentos, ingredientes e produtos finais. Entretanto, cada cidade alemã possui suas cervejarias características, enquanto esses outros países sucumbiram às grandes cervejarias de mercado (existem outras variáveis além da Lei de Pureza, como a Lei Seca dos EUA).

Apesar das críticas que consideravam a Lei protecionista, ela foi a primeira forma de controlar a garantir padrões mínimos para o processo de produção de cerveja. Ainda hoje a Lei da Pureza Alemã de 1516 é considerada sinônimo de qualidade e respeito às tradições cervejeiras. Não é por acaso que algumas das cervejas mais respeitadas do mundo levam em seus rótulos o atestado de cumprimento à Lei, como forma de indicar a alta qualidade de seus produtos.

Fontes: http://www3.sympatico.ca/n.rieck/docs/Reinheitsgebot.html ; http://en.wikipedia.org/wiki/Reinheitsgebot ; http://itotd.com/articles/519/the-bavarian-purity-law/ ; http://gourmet.updateordie.com/2010/04/24/lei-da-pureza-mocinha-ou-vila/

12 de abril de 2011

The Craft Beer Renaissance

O Renascimento das Cervejarias Artesanais (tradução livre de Craft Beer Renaissance) é um movimento que data do início dos anos 80 nos Estados Unidos.

Este país, entre 1920 e 1933, vivenciou a chamada Lei Seca (The Noble Experiment), que proibia a venda, fabricação e transporte de bebidas alcoólicas de todos os tipos.

Antes desse período, estima-se que existiam cerca de 1.400 cervejarias norte-americanas e, 45 anos após a abolição dessa lei, foram criadas apenas 44 fábricas de cerveja; ou seja, houve uma forte concentração do mercado, com grandes corporações mais focadas em metas de produção, produtividade, lucro etc. e menos focadas nas renomadas tradições cervejeiras européias.

A partir de 1980, pequenas cervejarias, utilizando-se das técnicas tradicionais de fabricação (cervejas puro malte, em oposição à adição de milho e arroz na fermentação das cervejas “comerciais”), começaram a se espalhar pelos Estados Unidos. Essas pequenas cervejarias passaram a orgulhar-se do movimento “Craft Beer”, que inclui três características básicas – tradição, pequeno tamanho e independente – e a produzirem cervejas cada vez mais saborosas.

A Europa não viveu esse movimento tão intensamente, já que não teve as suas tradicionais produções de cerveja impedidas. O povo europeu sempre foi grande apreciador dessa bebida, entre outras, e continuam sendo o berço das tradições de produção. Um grande exemplo é a Lei Alemã de Pureza (que trataremos em breve nesse blog).

E o Brasil?
Embora o Brasil não tenha tido suas cervejarias tradicionais no passado, o país vive hoje um cenário muito semelhante ao dos Estados Unidos na década de 80: mercado produtor de cerveja concentrado nas mãos de poucas empresas. Devido a esse fato, talvez o nome a ser dado ao movimento no nosso país não seja renascimento, e sim revolução (trataremos o termo “Craft Beer Revolution” em outro post).

Fontes: www.sallybernstein.com; www.beernationshow.com; www.wikipedia.com; www.papodebar.com

3 de abril de 2011

A História da Cerveja - Parte 1

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Existem inúmeras teorias sobre a origem da cerveja e sua história caminha junto ao desenvolvimento da civilização.

O Homem conhece o processo de fermentação há cerca de 10 mil anos e o surgimento das primeiras espécies de bebidas alcoólicas também ocorreu nesse período. Formas primitivas de cerveja eram produzidas em aldeias, ainda em pequena escala e de maneira muito rudimentar.

Na China, na cidade de Jiahum foram encontrados vestígios de uma espécie de cerveja de arroz em vasos de barro datados de 7.000 a.C.. Expedições arqueológicas realizadas na região do Nilo Azul (atual Sudão), nesse mesmo período, encontraram vestígios da bebida produzida a partir do sorgo.

A exemplo da grande maioria das bebidas alcoólicas, a cerveja foi inventada (ou melhor, descoberta) de maneira acidental. É provável que agricultores tenham armazenado seus grãos em vasos, que possivelmente se molharam com a chuva. Esses vasos devem ter sido secados e, com o calor, as enzimas transformaram o amido em açúcar (esse processo é denominado de brassagem). Esses vasos foram, então, abandonados e novamente submetidos às intempéries. Essa “sopa de grãos” foi fermentada por micro-organismos selvagens presentes na atmosfera e, ao converterem o açúcar em álcool e gás carbônico, produziu-se cerveja.

A cerveja, na forma como atualmente a conhecemos, provavelmente surgiu na Mesopotâmia (atual Irã e Iraque), uma das regiões de origem da cevada. O processo de fabricação da bebida já era conhecido pelos sumérios desde 6.000 a.C., época da mais antiga receita de cerveja encontrada, escrita em uma mesa de argila. Os sumérios fabricavam mais de 20 tipos de cerveja e a ela davam o nome de Sikaru. O Hino à Ninkasi, deusa da cerveja dos sumérios, de 2.600-2300 a.C., é uma receita de cerveja.

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Na sociedade suméria, cerca de 40% dos grãos era destinada à produção de cerveja e a bebida era produzida por padeiros, ou melhor, padeiras, por utilizar as mesmas matérias-primas que o pão: grãos de cereais e leveduras. As mulheres eram responsáveis pela produção do pão e da cerveja. Textos sumérios revelam a existência de tabernas e a Epopeia de Gilgamesh refere-se à Siduri, a mais famosa das taberneiras.

Longe dali, na China, por volta de 2.300 a.C., surgia a Samshu, fabricada a partir de grãos de arroz, e a Kin, espécies de cervejas. No Japão, até hoje, um espécie milenar de cerveja feita de arroz é considerada a bebida mais tradicional do país: o Sakê.

Quando o Império Sumério ruiu, os Babilônios incorporaram sua cultura e, com ela, o hábito de produzir e beber cerveja. Aos poucos a bebida ganhou importância entre os babilônios. O Código de Hammurabi (6º rei babilônio), mais antigo conjunto de leis conhecido pelo homem e escrito ente 1792 e 1750 a.C., elenca uma série de normas sobre produção, comercialização e consumo da cerveja, relacionando direitos e deveres dos clientes das tabernas. Dentre estas, estabelecia uma ração diária de cerveja por dia, que variava com o status de cada cidadão e condenava à morte por afogamento na própria cerveja quem vendesse a bebida (nessa época ela só podia ser trocada por cevada) ou a produzisse com baixa qualidade. Os babilônios exportaram cerveja para o Egito, apesar de se encontrarem a mais de 1.000 km de distância.

A popularização da cerveja no Egito aconteceu rapidamente. Hieróglifos relatam a importância do henket ou zythum, e logo os egípcios produziam variados tipos da bebida, como a Cerveja dos Notáveis ou a Cerveja de Tebas.

A cerveja fazia parte da dieta diária tanto dos nobres quanto dos fellahs (camponeses) e sua importância pode ser verificada também na cultura da sociedade egípcia da época. Nos túmulos dos mortos era comum encontrar, além de incenso e comida, provisões de cerveja. A bebida também era ofertada aos deuses pelos sacerdotes em caso de desastres naturais a fim de aplacar sua ira. Ramsés III, que tomava cerveja em canecas de ouro de 3,5 litros e era conhecido como o “faraó-cervejeiro”, doou aos sacerdotes do Templo de Amón 466.308 ânforas (equivalente a 1.000.000 de litros) de cerveja. Os egípcios foram os responsáveis pela disseminação da cerveja no Mar Mediterrâneo e, por consequência, em toda a Europa.  

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Os gregos já produziam cerveja por volta de 700 a.C. e, apesar de preferirem o vinho, emprestaram a tradição aos romanos. Ela teve um papel importante na vida dos primeiros cidadãos de Roma, mas durante a República Romana foi desbancada pelo vinho como a bebida mais popular. A cerveja então passou a ser marginalizada e considerada a bebida própria dos povos bárbaros. Ainda assim, nesta época surge a palavra cerevisia, utilizada pelo fato de a bebida ser produzida a partir de cereais, uma referência à Ceres, deusa da agricultura, do clima e da fertilidade.

O vinho dos romanos não foi absorvido pelos povos que não pertenciam ao Império e a cerveja continuava sendo a bebida mais popular das populações nórdicas. A Kalevala, poema épico finlandês, baseado em tradições e contos orais seculares, contém mais linhas sobre cerveja do que sobre a criação do homem. Nas festividades para Odin, não se podia participar sem beber fartas doses da bebida. Para se ter uma ideia da importância da cerveja para os povos nórdicos, no idioma eslavo, ela é chamada de piwo, do verbo pić,que também significa “beber”.

Fontes: http://www.wikibier.com.br/, www.cervejasdomundo.com/, http://www.brejas.com.br/, http://tukakubana.blogspot.com/, http://www.sociedadedacerveja.com.br

1 de abril de 2011

A história da Harpia Cervejaria – do ovo ao povo!

foto do 1º lote produzido pela Harpia Cervejaria
1º lote da cerveja Harpia
A Harpia Cervejaria, fundada em 10/10/2010, dedica-se a elaborar receitas dos mais variados tipos de cerveja, sempre atendendo aos mais altos padrões de qualidade.
Tudo começou em uma viagem na qual, por pura e despretensiosa curiosidade, experimentamos novas marcas de cerveja. Na verdade, não sabemos muito bem se isso aconteceu mais por curiosidade, pela falta das marcas tradicionais ou pelo talento do (abençoado) garçom marketeiro que queria vender aquele novo produto. De qualquer forma, percebemos que a boa cerveja de que tanto gostamos poderia e deveria fazer parte da nossa vida. Aos poucos fomos aprendendo um pouco mais sobre esta bebida e um mundo de possibilidades nos foi apresentado. Descobrimos novos sabores, cores, aromas...

Algum tempo depois, fizemos novamente a mesma viagem, fomos ao mesmo local e pedimos a mesma cerveja. Ao relembrar o que havia acontecido, o dia em que “redescobrimos” nossa bebida favorita, surgiu, quase que em tom de brincadeira, a seguinte pergunta: “Por que não fazemos a nossa própria cerveja?”. No começo a ideia parecia totalmente fora de propósito, mas aos poucos, passamos a perceber que com empenho e paixão poderíamos realizar esse projeto. Decidimos, então, que era hora de montar nossa cervejaria e compartilhar com nossos amigos o prazer de fazer e beber uma boa cerveja artesanal.

Depois de meses montando a estrutura do local, no interior paulista surgia a Harpia Cervejaria, no dia 10/10/2010, dia em que foi fabricado o primeiro lote de cerveja. Desde então, algum tempo se passou e muita cerveja foi produzida (e consumida). Hoje, a Harpia Cervejaria, faz cerveja respeitando os mais criteriosos padrões de qualidade, sempre dedicada a disseminar a Cultura Cervejeira.